sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

E foi lindo cada momento, cada dancinha improvisada, num esforço de mostrar que ele além de um rostinho bonito, era também de um pé de valsa, cada sorriso arrancado àquela noite, cada minuto ao seu lado, tudo valeu a pena, mesmo prestes a ir embora, indo pra o seu ninho, migrando para onde realmente queria estar, no seu lugar, seu canto, na sua história.
Fiquei, em meio a cacos e sonhos, na verdade me deixei levar, e não quis demonstrar tanto, mas quase me acabei, quase morri ao vê-lo indo, meus olhos não pairavam em outro lugar que não fosse nele.
Prosseguia com ele, só que agora sabia que iria embora de verdade, a nossas mãos aderidas umas as outras, sua boca rosa e pequena, num beijo entalado, embalado por um choro que não saia, num par de olhos tristes, mas que precisavam ser contidos, minha boca estremeceu, fechei os olhos, entreabri olhando para o chão, levei minha mão à face esquerda, minhas mãos o encontraram, enquanto ele acariciava meu rosto, não senti tristeza alguma, só conseguia sentir medo, medo de perder-lo, e murmurou algumas palavras, só não lembro o que disse, deve ter sido pela agitação daquela triste despedida, abri minha boca e na seqüência de um beijo disse que o amava.
E por mais que eu me enganei, escutei num abafado ruído, até num tom meio arranhado, eu te amo, pois bem, não foram proferidas estas palavras, mas no meu coração ele as disse, e soou como consolo, um paliativo, já que eu iria chorar por alguns dias a sua falta, as vezes até me esquecia que ele as tinha dito, mas vez e outra me pegava sorrindo, só de lembrar, sua voz sussurrando um eu também.
Fiquei encurralada quando ele foi embora, naquele jeito de sempre, naquele jeito como quem não quer nada, meus olhos se atiraram nele, minhas mãos não fingiam e como fuga tive a impressão de que tudo passaria bem rápido e que ele voltaria com a mesma expressão de sempre, com as mesmas coisas, com as quais, nem sei o por quê me apaixonei, de tantas palavras não ditas e atitudes que só serviram, porque me trouxeram para junto dele.
Distanciei-me e naquele instante achei que saí muito depressa, entrei no carro nem olhei pra traz, com medo do que me restava, com medo de que escapulisse uma gotinha dos meus olhos, pois meu olhar já estava desolado, me limitei a esfregar os olhos uma única vez, já que uma nevoa se elevava no meu olhar, e ali sentada no banco de traz com minhas mãos pousadas no colo, olhando para o nada, deixei minha mente vagar, surgiu assim um silêncio ensurdecedor de que minha voz gritava me deixem em paz! Foi o que da minha voz não se ouvia, mas certamente estava gritando com todas as minhas forças, e fui caminhando bem longe dali, eu e mais duas pessoas que pouco se importavam com a minha tristeza, que me comiam com os olhos me fisgavam e rasgavam minha carne sem ao menos tocar em mim, como se eu fosse um mero prato bem gostoso ou quem sabe um manjar que seria posto em uma mesa para degustação, e em meio a olhos famintos surgiu inexplicavelmente uma voz que era de consolo dizendo que tudo iria passar e que eu ficaria bem, tornando referencia de que já havia acontecido outrora, franzi a testa num movimento involuntário, suspirei ainda com medo e respondi retoricamente de forma positiva com sorriso meio estalado no cantinho da boca, fiz o impossível para que não expusesse a minha tristeza e prosseguimos assim um tortuoso caminho de perguntas, comiam agora de colher, falando animadamente sem parar, mas de forma contida e armada de coragem eu disse que essa estorinha não passava de um absurdo, foi com sinceridade e firmeza, levados pela emoção e tristeza contrita dentro de mim, que dei um fim a toda aquela babaquice que estava sendo regada e alimentada por alguma droga de idéia maluca, foi uma saída pra determinar um fim e que não faria nada que meu coração não permitisse pois não tinha motivos para agir daquela maneira, me senti honrada e por que não dizer pura.Ela assentiu com um ar pensativo como se tivesse ouvido a coisa mais inteligente do mundo, desviando os olhos e se esparramando no banco, com uma tristeza visivelmente de alguém derrotado, suspirou e disse que era com pesar que não iria mais comentar sobre aquele assunto, ele por sua vez, pegou uma garrafa de água que estava ao lado e tomou dois goles sem interrupções, tentando disfarçar que estava surpreso e ofendido, envergonhado talvês, não sei porque, mas também me senti envergonhada, podia ver nitidamente a saliva que passava ligeiro por aquela pele enrugada no pescoço.
Prosseguimos então na ânsia de chegada, aquele carro estava cheio demais para nós. Chegamos naquela cidade que so me fazia lembra dele, cheguei em casa, me joguei na cama e num olhar firme ao teto, tive a impressão de que tudo voltará ao sue lugar, o telefone toca, e em movimento brusco atendo sem sequer olhar que estava me ligando, minha mãe havia chegado, pulei da cama e abri a porta onde fui acolhida pelo abraço caloroso de meus pais, reuni todas as minhas coisinhas e me recolhi na esperança que tudo fosse passar rapidamente, de coração partido, com uma saudade louca, mas certa de que nada iria me fazer ficar longe dele, mesmo com a distância, ele estará presente.

24 de dezembro de 2011

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